Chegou a hora, senhores! Como todos sabem ou deveriam saber, apresentei agora, em junho, o meu Trabalho de Conclusão de Curso. Chique, né? Por isso, reservo este espaço com relatos da produção da grande reportagem “O samba no século XXI” que descreve a idéia inicial, dificuldades encontradas e os passos para a realização do produto. Ao postar no youtube, perdemos bastante a qualidade das imagens. Saibam que, no DVD, a qualidade está 100%.
Chega de conversa, vamos lá!
Tudo começou em junho de 2010, prestes a iniciar o penúltimo semestre da faculdade. Em uma conversa de boteco - quase não gosto - conversando sobre o TCC decidimos fazer algum trabalho relacionado a samba. Porém, falar de samba é muito complexo e precisava naquele momento achar algum “gancho” para aprofundar e realizar a pesquisa.
Começou o 7º semestre e optamos pelo tema “O samba no século XXI”. Essa forma de abordagem foi escolhida pelo nosso conhecimento e paixão pela música, especificamente falando do gênero do samba. A proposta inicial era tratar do samba que vem sendo feito na atualidade e as diversas vertentes que surgiram com o passar dos anos. Como era o samba antigamente? Houve muita mudança para os dias de hoje? Se sim, quais foram as causas para isso? Como o gênero entra no século XXI?
Por onde começar? Tínhamos várias idéias para a realização do trabalho, mas de fato, se não conseguíssemos personagens e especialistas para falar do assunto, o trabalho seria inviável. No mês de setembro, conversamos com um grande compositor e músico da cidade, Vinícius de Oliveira e apresentamos a proposta para ele. O jovem apoiou a idéia, mas as pessoas gabaritadas e que contribuíram para a história do samba não estão aqui em Brasília e sim no Rio de Janeiro.
Adotamos a possibilidade de ir para a terra carioca. Vinicinhus, assim chamado por nós, nos apresentou uma grande figura influente no samba do Rio de Janeiro, o jovem produtor e compositor, Rafael Massoto. Fizemos naquela semana o primeiro contato com ele e explicamos a proposta de realizar uma grande reportagem tratando do tema. Massoto, receptivo e elegante achou a idéia fantástica e não guardou as palavras. “Estou nessa com vocês. Contem comigo no que eu puder ajudar”, adiantou.
Ficamos mais aliviados. Daqui de Brasília, sabíamos que Rafael Massoto era produtor do sambista Noca da Portela e da cantora revelação do Rio de Janeiro, Janaína Reis. Ele seria então nossa base para indicar quem seriam as melhores pessoas para tratar do assunto e compartilhar histórias de vida dentro do samba. Ele de lá, a gente de cá, decidimos que seria interessante fazer um contraponto. Qual a visão do sambista da nova geração? Como pensam os que estão na estrada há muito tempo? Ao se fazer samba, existe diferença do novo para o velho?
A primeira entrevista era com o grupo de samba Galocantô. Através de redes sociais, entramos em contato com a produtora do grupo, Lúcia Sá, e marcamos a entrevista para o dia 19/01/2011. O grupo foi indicado ao Prêmio da Música Brasileira 2010 na categoria “Melhor grupo de samba” e representaria bem a “nova geração”.
Com o equipamento de filmagem do IESB em mãos, embarcamos para o Rio de Janeiro no dia 18/01/2011. A entrevista com o Galocantô estava marcada no outro dia às 16h, no Casarão, no bairro da Tijuca. Acordamos cedo, bem cedo para preparar todo material. Como não sabíamos qual era o melhor meio de transporte para ir à Tijuca e muito menos quanto tempo demorava, saímos de Copacabana por volta das 10h. Com a mochila nas costas, descemos na última estação Afonso Pena, já na Tijuca. Os termômetros marcavam 40 graus naquela quarta-feira, mas a sensação térmica foi ainda maior. A caminhada da estação até o local da entrevista demorou cerca de 20 minutos, para a nossa sorte.
Chegamos ao local por volta de 12h, 4 horas antes da entrevista. A parte boa é que nesse tempo observamos as condições físicas do local e testamos o equipamento. Já estava tudo pronto e faltavam ainda algumas horas para os integrantes do grupo chegar. Aprimoramos nosso roteiro e aguardávamos – ansiosamente naquele calor infernal – a hora do bate-papo.
Deu tudo certo. A entrevista ocorreu do jeito que planejamos e o melhor: os 6 integrantes do grupo compareceram. A conversa informal esclareceu várias questões e dúvidas que tínhamos sobre o samba. Missão cumprida para o primeiro dia.
Na quinta-feira (20), a entrevista era com um sambista da velha guarda que contribui para a música brasileira até os dias de hoje, o Noca da Portela. Era de manhã cedo, e lá estávamos nós para a próxima missão. Fomos de metrô até a Central do Brasil encontrar o produtor do seu Noca, Rafael Massoto citado anteriormente neste Diário de Bordo. De lá, fomos nós 3 (Eu, André Moraes e Rafael Massoto) de trem até o bairro Engenho de Dentro, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Mochila nas costas e água na mão nos deparamos com a casa pintada de azul e branco, em homenagem a escola de samba Portela. Só podia ser a casa dele. A filmagem começou dali, em frente a bilheteria oeste do estádio “Engenhão”. Muito bem recebidos, essa segunda entrevista foi um sucesso. Noca compartilhou na grande reportagem, experiências vividas no samba, sua trajetória musical, além dos mais de 300 sambas dele gravados. Compartilhou também sua vivência com Cartola, Paulinho da Viola, Zé Keti, Jackson do Pandeiro, Nelson Sargento, Jamelão, Martinho da Vila, Nelson Gonçalves, Alcione, Maria Bethânia, entre outros artistas.
“Do velho nasce o novo”. O trabalho entrava no terceiro dia com um artista da nova geração que vem ganhando cada vez mais espaço no Rio de Janeiro e conquistando o público de outras regiões. Entrevistamos na tarde de sexta-feira (21), em Copacabana, o cantor e compositor João Martins, filho do grande cavaquinista, músico e produtor, Wanderson Martins. João Martins começou sua carreira aos 14 anos. Hoje, aos 26 anos já carrega uma bagagem musical onde já fez parte de rodas de samba renomadas no Rio de Janeiro como Cacique de Ramos, Tia Ciça, Samba Luzia, Beco do Rato e Clube Renascença.
No sábado (22), contamos com o apoio novamente do Rafael Massoto e demos continuidade ao trabalho. O ponto de partida era Copacabana, com origem a São Gonçalo. Fomos à Praça XV e desembarcamos para pegar a barca no terminal. Na praça Zé Garoto, montamos o equipamento e começamos a entrevista com Massoto. Sua visão era diferente dos outros entrevistados até mesmo pela função dentro da música. O jovem, diga-se de passagem, gonçalense, compartilhou neste produto o conhecimento de mercado e as transformações sofridas pelo gênero do samba. Fantástico. Nesse momento sentimos que o trabalho tinha capacidade e profundidade acadêmica para responder as questões que buscamos desde o princípio. E, para isso, nada melhor que um especialista para falar.
Juntamos o útil ao agradável, a fome com a vontade de comer! Combinação perfeita! Como estávamos em terra gonçalense, aproveitamos a oportunidade geográfica para entrevistar em seguida um jovem que faz parte da safra dos novos compositores e intérpretes do Rio de Janeiro, o sambista Inácio Rios. A entrevista estava marcada para às 16h. Inácio se atrasou, chegou às 18h, pois estava fora da cidade em um show com Jorge Aragão. Até o atraso teve seu valor. Enquanto Inácio não chegava, sua produtora Bárbara Rodrigues mostrava arquivos e entrevistas dele, que começou a carreira aos 9 anos de idade. Quando Inácio chegou, outras perguntas já tinham sido preparadas a respeito da sua inserção no mercado musical e curiosidades do jovem cantor. Chegamos ao nosso ponto de origem, Copacabana, no início da madrugada, com a sensação de mais um dia de sucesso com este trabalho.
No domingo (23), nossa entrevista estava marcada para às 17h, em Madureira, na Zona Norte da Cidade. Como era a tarde nosso compromisso, aproveitamos o sol pela manhã para pegar uma praia em Ipanema e tomar um gelo! Eu precisava! De volta a realidade, saímos de Copacabana, fomos até a Central do Brasil pegar um trem para Madureira. Nosso destino era o Pagode da Tia Doca, onde há 34 anos traz o samba de qualidade. Atualmente é uma das rodas de samba mais tradicionais no coração de Madureira. O local é ponto de encontro de sambistas consagrados, já passaram por lá nomes como Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Beth Carvalho, Sombrinha, entre tantos outros. Após falecer a pastora da velha-guarda da Portela que criou o Pagode, seu filho, o “Nem”, tomou frente da roda de samba e o local continua sendo referência do samba carioca e ponto de encontro de sambistas do Rio de Janeiro. Conduzimos a entrevista da melhor forma possível. “Nem”, compartilhou nas filmagens a história e tradição daquele pagode, além da importância daquela manifestação para o reduto do samba. Registramos a roda de samba e aproveitamos para tomar uma cerveja gelada e apreciar o som de qualidade e o alto astral de quem estava presente. A vontade era entrar na madrugada de segunda-feira no Pagode da Tia Doca, mas ainda tinha trabalho. Já era tarde da noite, voltamos para Copacabana, pois cedo, tínhamos talvez a mais importante entrevista de todas.
Acordamos cedo na segunda-feira. Por volta das 8h, encontramos Rafael Massoto que nos dirigiu até a casa de uma lenda viva do samba, Nelson Sargento. Custamos acreditar que em poucos minutos estaríamos na casa daquele compositor, cantor, pesquisador da música popular brasileira, artista plástico, ator e escritor brasileiro. Naquele momento, os segundos duravam minutos e os minutos, horas. Por fim, chegamos. Já em sua casa, observamos e registramos inúmeras homenagens e prêmios recebidos por Nelson Sargento, além do arsenal de violões. Mangueirense, com cerca de 400 músicas em seu repertório, suas músicas são conhecidas pelo menos nas Américas e no Japão. A entrevista durou cerca de 1 hora. Tempo suficiente para admirar ainda mais aquele senhor de 87 anos. Nelson contou sua trajetória e sua vivência no mundo do samba. Conviveu com Cartola – que o ensinou a tocar violão – no morro da Mangueira, Carlos Cachaça, Darcy da Mangueira, entre outros artistas consagrados do samba carioca. Não podíamos acabar a entrevista sem gravar Nelson Sargento cantando seu samba mais conhecido, “Agoniza mas não morre”, que melhor retrata o tema deste Trabalho de Conclusão de Curso.
É por aí!
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junho 22, 2011 às 4:57 pm
Finalmente depois de muita ralação, finalmente o produto pront, gostaria de agradecer a todos que nos ajudaram com o projeto
junho 22, 2011 às 5:45 pm
Precisamos saber de onde viemos pra termos certezas para onde iremos…Parabéns pelo trabalho Leo. Um apaixonado pela arte, pela cultura…Falar de samba no séc XXI é resgatar Cartola, Noel, Donga, Candeia e tantos outros artistas que fizeram a história do nosso país.
Parabéns pela vitória no curso…lembre-se que o sabor da vitória é proporcional ao suor despendido durante a batalha.
junho 22, 2011 às 5:45 pm
Parabéns Leo, é isso ai, temos que levntar sempre a bandeira do samba, sucesso na nova carreira, e o samba conta com você meu jovem. Grande abraço!
junho 22, 2011 às 6:28 pm
Oi Leo ! Que este trabalho de fato contribua para a reflexão da complexidade que é o samba. Estou ligado a esse universo com a alegria, de viver a arte do samba.Ele me ensina a enchergar a nobreza de sua cultura e o nosso povo. agradeço desde já a oportunidade em deixar um singelo relato sobre o papo. Saudações quilombolas,axé e um forte abraço !
junho 22, 2011 às 7:48 pm
Você realmente tem um futuro promissor pela frente!!! Ficou excelente seu trabalho, sem contar que o assunto muito me agrada, além de ser muito importante! Samba e cultura, samba é história e todos que fizeram parte desse video merecem respeito e reconhecimento! Fico orgulhosa de você ter levantado essa bandeira!
Parabéns meu amigo…beijoos da sua melhor amiga =D
junho 23, 2011 às 12:16 am
Salve Parceiro Você e o André São Importantes pra Mim. Foram Bons Momentos que Vivemos pra Esse Trabalho Acontecer eu que Sou Completamente Desbandeirado Vivo a Vida Vivo a Música Vivo o que Tenho pra Viver não Sou Cantor não Sou um Defensor do Samba Pois Seria Mais Fácil o Samba me Defender Sou Apenas Um Produtor Batalhador Que Tenho Permissão Concedida Especialmente pra Malucos de Passear na Música com Muito Respeito e em Relação ao Samba a Palavra que Posso dizer é Respeito! Respeito de Verdade A Todos Que Fazem Parte desse Vídeo com Verdade Verdadeira Sei que de Todos eu Sou o que Menos Representa Algo no Movimento do Samba! Mesmo Assim Grato por Toda Consideração de Vocês! Viva a Música Viva a Vida Viva Tudo Muito mais Não Deixaremos Nada Nos Separar nada Vai Segregar Acredite a Música não é mais que a Vida Apesar de Parecer!
junho 23, 2011 às 3:36 pm
Parabéns meu filho. Sabia que vc. venceria esta etapa. Confesso que me surpreendeu com o seu trabalho e dedicação ao Curso. Estou muito orgulhoso de vc. Tenho certeza que Deus iluminará e abençoará a sua caminhada. A caminhada de um vencedor. Bjs. do “velho” Pai.
junho 23, 2011 às 10:45 pm
Salve Léo Salve André!
julho 15, 2011 às 12:26 am
Grande leozinho…. meus parabéns, primo! Mto orgulho de vc nessa conclusão de jornada. Te desejo muito sucesso nas trilhas que decidir seguir! E lembre-se que, antes de todo trabalho, deve vir sempre a felicidade!
Abraçao,
Rafa
julho 15, 2011 às 2:26 pm
Fala.. Leooo muito bom meu camarada Russo! Excelente trabalho!
Grande Abraço,
Gustavo Hang.