Já é carnaval?

É isso mesmo, o carnaval já começou. A minoria declara sua opinião sobre este grande espetáculo, que é indevidamente rotulado como cafona, brega ou até mesmo entediante. Em contrapartida, uma coisa é certa: o carnaval é a maior festa do planeta. O que nos impede de ficar fora dela, da festa?

Quando se aproxima o tão esperado desfile, não tem jeito, o País se mobiliza. As cachoeiras e pousadas são o refúgio dos mais caretas. Há também os jovens que preferem se jogar entre os famosos “blocos de rua”, da Zona Sul do Rio de Janeiro como o bloco de Ipanema “Vem Ni Mim Que Sou Facinha”, “Perereka sem Dono, “Fogo na Cueca“, “Carvalho em Pé”, “Quem Não Guenta Bebe Água”, entre tantos outros. Eles são assim, regados à cerveja, onde ninguém é de ninguém, homens se vestem como mulheres, beijos na boca são cumprimentos e cachaça é o que não falta. Mas bom mesmo é cair na avenida. No Rio de Janeiro, o espetáculo é dividido entre o Grupo Especial e os Grupos de Acesso (A,B,C,D e E).

Parece um pouco com a política do futebol. Fazem parte do Grupo de Acesso “A” os clubes da Série ”B” do Campeonato Brasileiro, por exemplo. Os técnicos são os Presidentes das Escolas de Samba e os atacantes representam os intérpretes, juntamente com a equipe do Carro de Som. Essas são as duas paixões para milhões de brasileiros que por muitas vezes, infelizmente, ultrapassam a razão.

Definido o enredo, os compositores de plantão se preparam para usar a criatividade e fazer o melhor samba da história da Escola. Ninguém faz samba por fazer, muito menos para perder. Quem entra na disputa quer ganhar. Nada mais justo, certo?

Para concorrer a disputa você precisa de grana. O dinheiro ou o “investimento”, caso o samba seja o vencedor, é usado com estúdio, gravação, músicos, CD, camisetas e até acessórios para a torcida (bandeiras, serpentinas, etc). É nessa hora que entra a parceria. Alguns entram com a grana, outros com o talento e a sabedoria. Se ganhar, todos ganham. Essa época favorece também os intérpretes. O momento é oportuno para fazer o pé de meia. Imagina que cada um dos 6  grupos (Especial, de Acesso A, B, C, D e E) tem cerca de 12 Escolas de Samba.

Não precisa fazer a conta, mas deu pra perceber que são muitas escolas, certo? Consequentemente, são várias gravações. Como se  já não bastasse, ainda tem demanda nos estúdios cariocas para sambas das Escolas de outros Estados. Não adianta. Mudanças não acontecem de um dia para o outro, exceto em um prêmio da Megasena e caso você ganhe, me avise.

Em outubro de 2009, o Presidente da Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (ARUC), Moacyr Oliveira Filho falava da dificuldade que as Escolas de Samba encontram para o carnaval, como a falta de planejamento por parte do Governo do Distrito Federal e o desinteresse das instituições privadas. “Brasília tem estrutura e competência para tornar o carnaval um evento potencialmente turístico, até se igualar com o Rio de Janeiro e São Paulo”, analisou Moacyr, em uma entrevista feita por mim para o Jornal “Na Prática”, do Instituto de Educação Superior de Brasília, IESB. Ou seja, talvez agora possamos entender porque existem sambas encomendados para o Rio de Janeiro.

A questão não é regional, mas o samba também não está em evidência aqui, na Capital Federal, como no Rio de Janeiro. Competência qualquer um tem, basta querer. Espaço é outra história. Retomando o cronograma do carnaval, após as gravações dos sambas, chega a hora das disputas de cada Escola. Vamos generalizar para ficar fácil de entender. São 20 sambas concorrentes. A cada apresentação semanal, fica de fora um número “X” de sambas. Na outra semana já são 12, depois 10, 8, 5, até chegar à final. Diante de tanta concorrência, chegar à final é privilégio para poucos. Essa é a parte que cabe aos compositores e intérpretes, com todo respeito à bateria, comissão de frente, fantasias, conjuntos, evolução, harmonia, mestre-sala e porta-bandeira, além das alegorias e adereços.

É assim! Em cada área existe a sua disputa. É contagiante ver a alegria estampada em milhares de rostos brasileiros, independente de etnias e classe social. Na avenida, todo mundo é igual. Obrigado, carnaval.

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