Tudo bem! O cenário ajudou bastante aquele momento que se fez eterno na memória dos dois. Não era baixa temporada, mas conseguiram encontrar ali, um espaço onde ninguém pudesse atrapalhar ou sequer interromper as juras e promessas de amor. Um pouco distante se via as pizzarias, bares e turistas que circulavam por ali, na Praia do Forte, em Cabo Frio. Ele, um jovem talentoso, apaixonado pelo seu clarinete, carismático e querido por todos. Ela, uma menina-mulher que dificilmente “dava o braço a torcer”, mas com um coração que não cabia dentro de si. Eles combinavam. Também se completavam. Um precisava do outro. Ele movido pela razão, ela, pela emoção. O prato favorito de Eduardo era a peixada que a madrinha de batismo, Dona Glória, fazia no almoço do domingo. Ela não suportava frutos do mar e tinha alergia a camarão, se sentisse o cheiro, a garganta coçava e o estômago embrulhava. Tinham diferenças como qualquer casal, algumas pequenas e outras mais sérias. Laís era esperta, sabia como dominar o namorado. Golpe fatal, com a tática infalível. Passava aquele perfume importado que deixava Edu hipnotizado, fazia um cafuné e sussurrava com voz de criança ao pé do ouvido. Ele não deixava transparecer, fazia na frente dos outros o tipo “durão”, mas quem o conhecia sabia que era impossível resistir. O cenário parecia de filme. Deitados na areia da praia, a opção naquela noite foi saborear um bom vinho. A segunda garrafa já estava no fim e, consequentemente, os dois embriagados. Ele ria e sentia seu corpo mais leve. Ela pensava. O barulho do mar era sutil e pulsava o coração da menina. O clima era perfeito. O casal era observado apenas pelo céu daquela noite de lua cheia. Precisavam descansar o corpo e principalmente a mente. Eles moram em São Paulo.
- Esperei tanto esse momento.
- Eu também. Sinto falta do mar.
- Estou falando da gente, Edu.
- Eu sei, estava só brincando. Se você pudesse fazer um pedido neste momento, qual seria?
- Que ele não acabasse. E você?
- Incrível como você sempre lê meus pensamentos.
O ponteiro do relógio já apontava quase 4h. Era o penúltimo dia em Cabo Frio. A idéia de Laís era ver o nascer do sol com o amado, tirar belíssimas fotos, tomar café-da-manhã no hotel, colocar o biquíni e cair no mar. Edu precisava descansar, mas só depois que fizesse amor. Sua música favorita era “Samba e amor”, de Chico Buarque. Esse era o boa-noite do casal. Chegaram a um consenso. O café do hotel encerrava às 11h, fugindo dos padrões convencionais. Às 10h, já estavam de pé para aproveitar o último dia na cidade. Engov pra dentro e lá se foi mais um dia inesquecível – regado à cerveja – para o casal. Enfim, voltaram para a mesma rotina da Capital Paulista. No escritório de advocacia em que trabalhava Edu, pilhas de processos era a distração do jovem advogado. Laís ainda cursava Ciências Políticas e estava prestes a se formar. Comia livros e entrava na madrugada escrevendo a deliciosa monografia. Dias depois, o inesperado chegou.
- Estou confusa, preciso de um tempo para mim.
- Foi alguma coisa que eu fiz ou deixei de fazer?
- Não.
- Não estou entendendo, Laís.
- Não precisa entender, o problema é comigo.
Apesar de todo sentimento, os dois traçaram outro caminho. Sem perceber, foram se perdendo pouco a pouco. Parecia que aquela viagem, era a despedida do casal. Edu foi para os braços do álcool, batucadas e mulheres. Parou de fazer planos e pensar no futuro. Queria abraçar o mundo e fazer tudo o que um jovem independente de 25 anos é capaz de fazer. Laís passou a se preocupar com o corpo. Precisava de qualquer maneira eliminar os 10kg que ganhou durante os 3 anos de namoro. Mesmo com as diferenças, o desejo de Edu e Laís é o mesmo: ter uma máquina do tempo e voltar para os melhores 5 dias de suas vidas, em Cabo Frio.
setembro 12, 2011 às 2:15 am
Adorei, primo! Você escreve de um jeito que eu adoro! Leitura facil e leve! Muito bom =)
setembro 12, 2011 às 2:15 am
Fantástico, Léo!! Por alguns instantes consegui imaginar algumas cenas da história, e até me vi em um pouco dela.
Continue assim, com o dom da palavra!!
Abração.
Rodrigo
setembro 12, 2011 às 3:05 am
Há quem viva essa experiência nas cidades do Rio… Há quem viva em Minas também…
Muito bem escrito, Léo!
Beijo.
setembro 12, 2011 às 11:16 pm
muito bom meu amigo muito sucesso nessa jornada…
setembro 13, 2011 às 1:00 pm
Parabéns meu filho, noto que a cada trabalho você está escrevendo melhor, de uma forma fácil, alegre e gostosa de se ler. Não sou pai coruja, estou expressando o que realmente sinto. Continue assim que, com certeza, é o caminho do seu sucesso.
setembro 13, 2011 às 3:46 pm
Texto dinâmico, leve, criativo e inteligente. É a cara do seu blog. Bjinhus